Racismo no Brasil: como a Lei Geral do Esporte e regulamentos desportivos podem ajudar após caso Luighi?

Racismo no Brasil: como a Lei Geral do Esporte e regulamentos desportivos podem ajudar após caso Luighi?

Lei Geral do Esporte pode punir clubes por racismo. Entenda as sanções e desafios na aplicação da lei após o caso Luighi


Ministério do Esporte propõe mudanças na legislação

O Ministro do Esporte, André Fufuca, anunciou nesta quinta-feira (13) que encaminhou uma solicitação à Casa Civil para alterar a Lei Geral do Esporte. A proposta prevê a punição de clubes que não combatem o racismo com a suspensão de recursos federais.

A legislação tornou-se referência em 2023, quando o governo a sancionou, e estabelece diretrizes para a governança, financiamento e gestão das entidades esportivas. O recente caso de racismo ao jogador Luighi, do Palmeiras, em partida contra o Cerro Porteño, gerou grande comoção nacional e internacional. O episódio levou as autoridades do governo brasileiro a buscar alternativas para combater a discriminação étnica.

Como a legislação combate o racismo no esporte?

Advogada do Ambiel Advogados e especialista em Direito Desportivo, Mariana Araújo explica que a Lei Geral do Esporte já reforça a necessidade de combater o racismo em eventos desportivos.

“Condutas que promovam, gerem ou incitem tumultos, violências, brigas ou invasões de locais restritos aos competidores ou aos árbitros e seus auxiliares no contexto do esporte são puníveis com reclusão de até 4 anos e multa, exceto em caso de primariedade do agente, em que sua pena será convertida em impeditiva de comparecimento às arenas esportivas por até 6 anos”.

Além disso – aponta Mariana – a lei reforça a responsabilidade das entidades esportivas em adotar medidas preventivas e educativas para combater a discriminação racial, promovendo um ambiente de respeito e igualdade nos eventos esportivos.

Punições desportivas e falhas na aplicação

No Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), também há dispositivo que estabelece sanções para atos discriminatórios relacionados a preconceito racial. As penas incluem suspensão de 5 a 10 partidas para jogadores e treinadores. Além disso, se um grande número de pessoas de uma mesma entidade desportiva praticar o ato, a entidade pode sofrer punições coletivas, como a perda de pontos.

Buscando melhorar o cenário brasileiro e incentivar políticas positivas contra o racismo, em 2022, a CBF propôs a inclusão da perda de pontos por atos discriminatórios no Regulamento Geral de Competições. No entanto, a CBF não implementou a proposta de punição esportiva. Ainda, em janeiro de 2025, a Federação Paulista de Futebol (“FPF”) adotou o Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista.

“Embora a legislação seja abrangente e proponha medidas para o combate ao racismo, na prática a sua aplicação tem se mostrado ineficaz”, aponta a advogada.

No recente incidente do atacante palmeirense, Luighi relatou o ocorrido ao árbitro, que, seguindo as normas da FIFA, deveria ter paralisado a partida, entretanto não o fez. Nem mesmo a equipe de segurança tomou qualquer atitude.

Medidas da FIFA e Conmebol contra o racismo

É importante mencionar que a Conmebol, em 2024, se uniu à FIFA na luta contra o racismo. A entidade implementou um protocolo contra insultos racistas: o cruzar de mãos à altura do pulso pelos jogadores diretamente ao árbitro principal indica que estão sendo submetidos a insultos racistas.

O árbitro deverá ativar um procedimento de três níveis previsto para esses incidentes. No primeiro nível, a partida é interrompida. Se os atos continuam, ela é temporariamente suspensa. Se o incidente não cessa, a partida é definitivamente suspensa.

“No caso Luighi, por exemplo, se o jogador não tivesse adotado uma postura tão ativa ao denunciar o ocorrido diretamente ao árbitro, ele poderia ter utilizado esse procedimento. Na minha visão, ter de paralisar a partida três vezes é algo totalmente equivocado. São três chances de um racista insultar o atleta e, consequentemente, três chances para marcar o psicológico dele de alguma forma”, pondera Mariana.

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