Espanha vai proibir menores de 16 anos nas redes sociais e exige verificação de idade robusta para conter conteúdo nocivo e discurso de ódio
Em um anúncio feito nesta terça-feira (3), o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, revelou o plano de proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. A medida faz parte de um pacote de segurança digital apresentado na World Government Summit, em Dubai. Sánchez afirmou que as plataformas terão de implementar sistemas de verificação de idade eficazes, que não se limitem a simples caixas de seleção. A medida busca impedir o acesso de usuários mais jovens quando eles não tiverem autorização legal.
O premiê destacou que as redes sociais atualmente expõem crianças e adolescentes a conteúdos prejudiciais, como discurso de ódio, pornografia e desinformação. Segundo ele, a iniciativa visa estabelecer um ambiente digital mais seguro. Segundo Sánchez, “nossos filhos estão expostos a um espaço que nunca deveriam navegar sozinhos”, e ele reiterou que isso “não será mais tolerado”. A proibição refletiria uma mudança de paradigma, na qual o Estado assume um papel mais ativo para regular o uso de tecnologia entre os mais jovens.
A medida se soma a um movimento internacional em que países buscam limitar o poder das grandes plataformas digitais sobre públicos vulneráveis. Especialistas afirmam que a crescente preocupação com os efeitos da exposição precoce às redes sociais tem impulsionado debates semelhantes em outras partes do mundo. Nos próximos dias, será apresentada uma proposta de lei ao Parlamento espanhol para dar forma legal a essa proibição, embora sua aprovação ainda dependa de negociação política.
Como funcionaria a proibição
O governo obrigará as plataformas digitais a instalar barreiras tecnológicas robustas de verificação de idade. A exigência vai além de mecanismos simplistas usados atualmente, como a afirmação voluntária da data de nascimento. Essa exigência tem gerado debates sobre privacidade, proteção de dados e a melhor forma de equilibrar segurança com liberdade digital de adolescentes. Empresas como Meta e X ainda não se manifestaram formalmente sobre a proposta espanhola, mas a reação pública já começou.
O empresário Elon Musk criticou duramente Sánchez nas redes sociais, chegando a chamar o primeiro-ministro de “tirano” em resposta às medidas. Organizações de defesa da infância e grupos civis, por sua vez, apoiam a iniciativa, afirmando que é urgente limitar o impacto negativo das redes sociais na saúde mental dos jovens.
Outros países europeus, como França e Dinamarca, também estão caminhando em direção a restrições similares de idade mínima em suas legislações.
A Austrália foi a primeira nação a implementar uma proibição total para menores de 16 anos no fim de 2025, e agora a Espanha se torna o primeiro país europeu a anunciar medida na mesma linha. A coalizão internacional de países que compartilham essa agenda ainda está em formação. A Espanha afirma que seu governo integra um grupo que coordena políticas de regulamentação digital transnacional.
Implicações legais, políticas e sociais
A proibição proposta será integrada a um pacote mais amplo de reformas. As medidas visam responsabilizar executivos de plataformas por conteúdo ilegal, incluindo discurso de ódio e manipulação algorítmica, transformando tais práticas em crimes. Sánchez também anunciou a criação de mecanismos para rastrear e quantificar a disseminação de conteúdo polarizador e odioso. A proposta promete novos desafios de fiscalização e debate jurídico. Políticos de diferentes espectros expressaram opiniões diversas, com algumas forças apoiando a regulamentação rígida e outras pedindo cautela quanto aos impactos sobre liberdade de expressão e inovação.
Especialistas sugerem que a efetividade da proibição dependerá de tecnologias de verificação confiáveis, cooperação internacional e da adaptação das próprias redes sociais às exigências legais. Organizações internacionais de proteção infantil destacam que os riscos associados ao uso precoce de redes sociais vão desde compulsão e ansiedade até exploração e violência online. Esses fatores justificam a atenção legislativa ao tema. Críticos alertam, contudo, que medidas restritivas podem levar jovens a buscar meios alternativos de acesso, como VPNs ou plataformas menos regulamentadas. O debate sobre essa proposta espanhola promete continuar nos próximos meses, à medida que o Parlamento analisa o projeto de lei e a sociedade civil acompanha seus impactos.






