Gordura no fígado já afeta 30% da população mundial; especialistas alertam para riscos e impacto da alimentação na saúde hepática
A saúde do fígado entra em alerta global. Considerada uma das principais ameaças silenciosas da atualidade, a Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), conhecida como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e da Associação Europeia para o Estudo do Fígado.
No Brasil, o cenário também preocupa. Um levantamento do Instituto Datafolha em parceria com a Novo Nordisk mostrou que 62% dos brasileiros estão preocupados com a gordura no fígado, mas 61% nunca fizeram exames ou não sabem como identificar a condição. Apenas 7% receberam diagnóstico formal.
O dado reforça o caráter silencioso da doença, que pode evoluir sem sintomas para quadros graves como fibrose, cirrose e até câncer hepático.
“É uma condição que muitas vezes não dá sinais no início, mas que pode ter consequências sérias ao longo do tempo. O mais preocupante é que ela está diretamente ligada ao nosso estilo de vida, principalmente à alimentação e ao sedentarismo”, explica Dra. Patrícia Almeida Hepatologista, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.
O fígado sente o que está no prato
Responsável por mais de 500 funções no organismo, o fígado atua no metabolismo, na desintoxicação e na produção de proteínas essenciais. Ainda assim, costuma ser negligenciado até que surgem alterações. Neste ano, o Dia Mundial do Fígado traz o tema “Alimento é Remédio”, destacando o impacto direto da alimentação na prevenção e no tratamento das doenças hepáticas.
“Cada escolha alimentar tem impacto direto no fígado. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gordura saturada favorecem o acúmulo de gordura no órgão. Por outro lado, uma alimentação equilibrada pode não só prevenir como ajudar a reverter o quadro nos estágios iniciais”, reforça a especialista. O fígado tem alta capacidade de regeneração. Estudos clínicos mostram que a redução de 5% a 10% do peso corporal já pode melhorar significativamente a função hepática, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade.
Entre os padrões alimentares mais indicados está a dieta mediterrânea, reconhecida por entidades como a Fundação Britânica do Fígado, que prioriza alimentos naturais, gorduras boas, peixes, vegetais e antioxidantes. “Quando falamos que alimento é remédio, estamos falando de ciência. A alimentação tem um papel terapêutico real. Não é só prevenção, é parte do tratamento”, destaca Dra. Patrícia.
Desinformação ainda é um obstáculo
Apesar da alta prevalência, a doença segue subdiagnosticada. O levantamento do Datafolha também aponta que:
- 66% dos brasileiros têm sobrepeso ou obesidade
- 55% consomem bebida alcoólica regularmente
- Apenas 44% procurariam um especialista diante de um diagnóstico
Para a hepatologista, o desconhecimento ainda é uma das principais barreiras. “Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, exames simples e acompanhamento médico são fundamentais, principalmente para quem tem fatores de risco como obesidade, diabetes ou consumo frequente de álcool.”
Pequenas mudanças, grande impacto
Embora fatores sociais e econômicos influenciem a alimentação, mudanças graduais já fazem diferença. Reduzir o consumo de açúcar, evitar ultraprocessados, manter atividade física regular e buscar orientação profissional são medidas acessíveis que ajudam a proteger o fígado. “O cuidado com o fígado não deve acontecer só em abril. Ele precisa ser diário. Quanto antes começamos, maiores são as chances de evitar complicações no futuro”, finaliza Dra. Patrícia Almeida.






