Crimeia decreta estado de emergência após ataque em massa de drones da Ucrânia, que amplia a pressão sobre a Rússia e Vladimir Putin
As autoridades da Crimeia, anexada pela Rússia, declararam estado de emergência nesta sexta-feira, 26, para lidar com a escalada dos ataques ucranianos na península. Ao que tudo indica, este foi um dos maiores ataques com drones contra a Rússia e a Crimeia. O maior ataque ucraniano registrado no último ano até então havia sido o de 17 de maio, com 556 drones.
Num esforço para reverter a situação na guerra de desgaste da Rússia, drones ucranianos de longo alcance têm bombardeado alvos há meses. Entre eles estão instalações de produção de petróleo e energia localizadas atrás da linha de frente e em território russo.
Segundo autoridades e analistas ocidentais, a campanha tem interrompido o fornecimento de combustível e suprimentos militares russos, prejudicando os esforços de Moscou no campo de batalha. A estratégia também aumenta a pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin. Os primeiros relatórios de danos da Rússia após o ataque noturno forneceram poucas informações. O Ministério da Defesa russo geralmente não informa quais alvos os drones ucranianos atingiram, nem detalha os danos que os ataques causaram.
O Serviço de Segurança da Ucrânia afirmou ter usado drones para atacar navios da marinha russa e radares de defesa aérea em Kerch, uma importante cidade portuária na Crimeia. Os alvos eram dois navios de reconhecimento e lançamento de minas, o Volga e o Vyatka, e a balsa de carga e passageiros Petropavlovsk, informou a agência, alegando que os ataques provocaram um grande incêndio. A alegação não pôde ser verificada de forma independente.
Forçar Putin a negociar
O ataque de grande escala ocorreu horas depois de o presidente ucraniano Volodimir Zelenski declarar no canal X que havia ordenado “uma operação de influência de 40 dias”. Analistas interpretam a medida como uma escalada dos ataques para “compelir (a Rússia) a pôr fim à guerra”, após os esforços de paz dos EUA ao longo do último ano não produzirem avanços.
Zelenski afirmou ter recebido novas promessas de apoio estrangeiro durante sua recente cúpula de líderes do G7, incluindo do presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo ele, a ajuda prometida contribuirá para que a Ucrânia intensifique seus esforços para forçar Putin à mesa de negociações. A cúpula da Otan no próximo mês poderá fortalecer ainda mais as forças armadas da Ucrânia.
Fábrica de produtos químicos atingida
Na região de Tula, ao sul de Moscou, uma casa particular foi danificada pelo ataque e uma mulher ficou ferida, informou o governador de Tula, Dmitry Milyaev, em um comunicado online. Os relatos sobre os danos causados pelo ataque começaram a surgir logo depois. Ele também afirmou que o ataque danificou uma linha de energia e uma instalação industrial não especificada na cidade de Novomoskovsk.
O portal independente russo Astra noticiou que o ataque atingiu uma fábrica de produtos químicos e uma usina hidrelétrica em Novomoskovsk, provocando um incêndio em ambas. A Associated Press não conseguiu verificar a notícia de forma independente, e não houve confirmação oficial.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que as forças russas abateram 47 drones ucranianos enquanto sobrevoavam a capital e afirmou que o ataque não deixou vítimas nem causou danos.
Duração supera Primeira Guerra Mundial
A guerra na Ucrânia já dura 1.569 dias, ou mais de quatro anos e três meses, superando a duração da Primeira Guerra Mundial. Quando o presidente da Rússia enviou suas tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022, acreditava que o país cairia em poucos dias.
Depois que a Ucrânia repeliu os russos, o conflito se transformou em uma guerra de desgaste. Mesmo muitos dos que lutavam não conseguiam imaginar que a guerra duraria tanto tempo. Mas a guerra continua e, com as negociações de paz paralisadas, não dá sinais de que vá terminar em breve.
As pesquisas indicam que cerca de metade dos ucranianos acredita que ela não terminará antes do ano que vem, o que a aproximaria de outro patamar: a duração da Segunda Guerra Mundial, que durou seis anos. E há muitos ucranianos que argumentariam que a guerra atual começou, na verdade, em 2014, quando as tropas russas anexaram a Crimeia.






