Alibaba proíbe funcionários de usar ferramenta de IA da Anthropic, diz agência

Alibaba proíbe funcionários de usar ferramenta de IA da Anthropic, diz agência

Alibaba veta o uso do Claude Code por funcionários após acusações envolvendo a Anthropic e amplia disputa no setor de inteligência artificial


O grupo chinês Alibaba, uma das maiores empresas de tecnologia e comércio eletrônico do mundo, proibiu seus funcionários de utilizarem o Claude Code, ferramenta de programação baseada em inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic. A imprensa chinesa revelou inicialmente a decisão, e a Reuters a confirmou com base em uma fonte familiarizada com o assunto. Segundo a agência, o Alibaba adotou a medida após identificar recursos no software capazes de ajudar a detectar usuários com ligação à China. O episódio ocorre em um momento de crescente tensão entre as duas empresas. Nas últimas semanas, a Anthropic acusou o Alibaba de copiar capacidades de seus modelos de inteligência artificial. 

A empresa chinesa ainda não respondeu publicamente às alegações. Enquanto isso, seus funcionários foram orientados a utilizar o Qoder, plataforma de programação com IA desenvolvida pelo próprio Alibaba. A Anthropic também não comentou oficialmente a decisão da companhia chinesa. O caso chama atenção por envolver duas empresas importantes na corrida global pela inteligência artificial. Além da disputa comercial, o episódio levanta discussões sobre segurança digital, propriedade intelectual e proteção de modelos de IA. Especialistas avaliam que situações semelhantes devem se tornar mais frequentes à medida que a concorrência entre empresas do setor se intensifica.

Alibaba adota restrição interna

O Claude Code é um assistente de programação criado para auxiliar desenvolvedores na escrita, revisão e depuração de códigos. Embora a Anthropic imponha restrições ao uso de seus serviços por organizações e usuários localizados na China, a ferramenta se tornou popular entre programadores do país. Nos últimos dias, desenvolvedores identificaram recursos que coletavam informações sobre o ambiente de utilização do software. Entre os dados estavam o fuso horário, configurações de conexão com a internet e outros indicadores técnicos. Também foram encontrados marcadores discretos enviados junto às solicitações direcionadas aos servidores da Anthropic. Essas descobertas despertaram preocupações sobre privacidade e segurança dentro de empresas chinesas. 

Um funcionário da Anthropic afirmou, em publicação na rede social X, que os recursos faziam parte de um experimento iniciado em março. Segundo ele, o experimento tinha como objetivo identificar revendedores não autorizados e dificultar o uso indevido de contas. A empresa também afirmou que o mecanismo ajudava a combater tentativas de copiar seus modelos de inteligência artificial. Apesar da explicação, o Alibaba decidiu impedir o uso da ferramenta em seu ambiente corporativo. A companhia orientou seus funcionários a utilizarem exclusivamente soluções internas para atividades de desenvolvimento de software.

O que motivou a decisão

A proibição ocorreu poucos dias depois de a Anthropic acusar o Alibaba de utilizar uma técnica conhecida como destilação para reproduzir capacidades do modelo Claude. A destilação consiste em treinar um sistema de inteligência artificial utilizando respostas geradas por outro modelo mais avançado. Segundo a Anthropic, essa prática pode permitir que empresas desenvolvam soluções semelhantes com menos tempo e menor custo. A companhia afirmou ter identificado um grande volume de interações suspeitas envolvendo contas que, segundo ela, estariam ligadas ao Alibaba. As informações foram apresentadas em uma carta enviada a senadores dos Estados Unidos e obtida pela Reuters. 

Até o momento, as acusações não foram verificadas de forma independente. O Alibaba também não comentou publicamente as alegações. A falta de posicionamento oficial mantém o caso cercado de incertezas. Ainda assim, o episódio evidencia o aumento das disputas envolvendo propriedade intelectual no setor de inteligência artificial. Empresas responsáveis pelos principais modelos generativos têm adotado medidas para dificultar a reprodução de suas tecnologias. Ao mesmo tempo, governos acompanham o tema com atenção devido aos impactos econômicos e estratégicos da IA.

Corrida global por IA continua

O caso envolvendo Alibaba e Anthropic também representa a crescente competição tecnológica entre China e Estados Unidos. Nos últimos anos, empresas americanas passaram a reforçar mecanismos para limitar o acesso não autorizado aos seus modelos de inteligência artificial. Em paralelo, companhias chinesas ampliaram os investimentos em soluções próprias. Entre os principais nomes estão DeepSeek, Qwen, Moonshot e Zhipu, que vêm ganhando espaço tanto no mercado chinês quanto internacional. Muitas dessas plataformas também apostam em modelos de código aberto para acelerar sua adoção. 

Apesar das restrições impostas pela Anthropic, usuários chineses ainda conseguem acessar algumas ferramentas por meio de servidores localizados em outros países. Essa prática dificulta a aplicação das limitações geográficas estabelecidas pelas empresas americanas. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com riscos regulatórios e de segurança. Especialistas apontam que a inteligência artificial se tornou um dos principais campos da disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. Nesse cenário, decisões como a do Alibaba demonstram que estratégias de segurança e proteção tecnológica passaram a ter papel tão importante quanto o desenvolvimento de novos modelos.

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