Após três meses internada com 63% do corpo queimado, advogada que salvou família em incêndio relata recuperação e planos para o futuro
A história da advogada Juliane Vieira, de 29 anos, ganhou repercussão nacional após sua primeira entrevista concedida depois da alta hospitalar. Ela ficou internada por três meses após sofrer queimaduras em 63% do corpo. O incêndio ocorreu em 15 de outubro, em um apartamento no 13º andar onde ela estava com a mãe e o primo. Juliane relembra que acordou com os gritos da criança avisando sobre o fogo. As chamas começaram na cozinha e se espalharam rapidamente pelo imóvel. Ao sair do quarto, ela encontrou o caminho bloqueado. Mesmo diante do risco, decidiu retornar para salvar os familiares. Sem conseguir usar a porta principal, buscou outra alternativa de fuga.
Ela colocou o primo no colo e tentou atravessar o fogo. Ao perceber que não conseguiria sair, subiu no suporte do ar-condicionado. De lá, posicionou a criança na janela do apartamento inferior. A moradora do andar de baixo abriu a janela e conseguiu acolher o menino. Do lado externo, dois trabalhadores ajudaram no resgate da mãe de Juliane. A advogada ainda tentou descer, mas as chamas a impediram. Um bombeiro conseguiu puxá-la de volta para o interior do imóvel. Durante a ação, ambos sofreram queimaduras.
Tratamento intensivo exigiu cirurgias
Juliane foi socorrida inicialmente em Cascavel e depois transferida de helicóptero para Londrina. O Hospital Universitário da cidade é referência em tratamento de queimados. Ela permaneceu três meses internada, grande parte do tempo na UTI. A unidade considerou o caso um dos mais complexos já atendidos. A unidade considerou o caso um dos mais complexos já atendidos. A equipe médica precisou planejar cuidadosamente os enxertos de pele. As queimaduras atingiram principalmente os membros inferiores. Ao longo do tratamento, a advogada passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos.
Entre as intervenções estiveram transplantes de pele, raspagens e enxertos. Ela permaneceu mais de um mês em coma induzido. A evolução clínica foi gradual, acompanhada por uma equipe multidisciplinar. Ao receber alta, deixou o hospital sob aplausos de profissionais que participaram do tratamento. O momento foi registrado e repercutiu nas redes sociais. O reencontro com familiares e com pessoas que ajudaram no resgate também emocionou.
Recuperação
Mesmo fora do hospital, o processo de recuperação continua exigente. Juliane relata dores, sensibilidade térmica e necessidade de cuidados diários com a pele. Ela precisa de auxílio para atividades básicas, como o banho. A fisioterapia é realizada todos os dias para recuperação dos movimentos. A expectativa é de que novos procedimentos ainda sejam necessários. O retorno ao trabalho deve levar pelo menos um ano. Apesar das limitações, ela afirma manter o foco na reabilitação.
A advogada declarou que pretende voltar a exercer a profissão. Também pretende retomar os estudos durante o período de recuperação. O caso mobilizou mensagens de apoio de todo o país. Para a família, o episódio reforçou laços e gratidão pelos envolvidos no resgate. Juliane afirma que a experiência transformou sua forma de ver a vida. A história passou a ser vista como símbolo de coragem e sobrevivência.







