Onda de calor histórica na França deixa 40 mortos por afogamento e provoca alertas em diversos países da Europa
A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou 40 mortes por afogamento na França desde 18 de junho. A maioria das vítimas é formada por jovens que tentavam se refrescar diante das temperaturas extremas registradas no país. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, divulgou a informação nesta terça-feira (23), durante uma reunião de emergência sobre os efeitos do calor. O episódio ocorre enquanto a França enfrenta uma das mais intensas ondas de calor de sua história recente.
Além dos franceses, Reino Unido, Itália, Espanha, Bélgica e Suíça também enfrentam temperaturas elevadas. Em algumas regiões, os termômetros registraram marcas recordes para o mês de junho. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Europa se aquece em uma velocidade superior ao dobro da média global. Esse fenômeno aumenta a frequência e a intensidade dos episódios de calor prolongado.
França enfrenta cenário sem precedentes
Grande parte do território francês está sob alerta severo. A Meteo France prevê temperaturas próximas de 40°C em várias regiões e máximas de até 43°C no oeste do país. O país registrou a tarde e a madrugada mais quentes desde o início das medições, em 1947. Ao todo, 54 departamentos foram colocados em alerta vermelho, situação considerada inédita pelos meteorologistas. De acordo com a AFP, cerca de 90% da população vive em áreas sob alerta vermelho ou laranja. As noites têm oferecido pouco alívio, com dezenas de estações registrando temperaturas superiores a 25°C.
Em busca de refresco, muitos franceses passaram a frequentar canais, rios e outras áreas aquáticas. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, alertou para os riscos de nadar em locais não autorizados. Lecornu classificou os afogamentos como um triste fenômeno associado à onda de calor. Segundo ele, os números mais recentes apontam 40 mortes em apenas cinco dias. Na segunda-feira (22), a mãe encontrou duas crianças de 2 e 4 anos inconscientes dentro do carro da família em Carpentras, no sudeste do país, e elas morreram. O caso está sendo investigado pelas autoridades.
Transporte, cultura e economia sofrem impactos
Em Paris, moradores enfrentam noites mal dormidas e temperaturas sufocantes. A falta de estrutura adequada para o calor em muitos edifícios tem agravado o desconforto da população. Alguns trens foram cancelados, incluindo ligações entre Paris e Bruxelas. O calor também afetou o funcionamento dos aeroportos e dos sistemas de transporte. A Prefeitura de Paris distribuiu ingressos gratuitos de cinema para jovens com menos de 25 anos e idosos acima de 65 anos. A medida busca oferecer abrigo em locais climatizados.
O Museu do Louvre anunciou o fechamento antecipado entre quarta-feira e sábado. A instituição encerrará as atividades às 16h para reduzir os impactos do calor extremo. Empresários afirmam que a economia francesa também está desacelerando. Patrick Martin, presidente da associação patronal MEDEF, declarou que empresas têm adaptado as jornadas e reforçado medidas de proteção aos trabalhadores. Segundo ele, a França está funcionando em ritmo mais lento. As recomendações de segurança vêm sendo seguidas sempre que possível.
Outros países europeus reforçam medidas contra o calor
Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu o nível máximo de alerta para 15 cidades. Roma está entre as localidades mais afetadas pelas altas temperaturas. As autoridades italianas adotaram medidas para reduzir ou suspender algumas atividades. Tempestades com chuvas fortes e granizo também são esperadas em áreas montanhosas. No Reino Unido, dezenas de escolas anunciaram fechamento antecipado. Muitos prédios antigos não oferecem condições adequadas para salas de aula com temperaturas superiores a 30°C.
O Met Office emitiu alerta máximo para parte do centro e do sul da Inglaterra. Londres, Birmingham e Bath estão entre as cidades incluídas na advertência. O chamado bloqueio ômega provoca a atual onda de calor, explicam especialistas. O padrão atmosférico mantém uma massa de ar quente presa sobre o continente por vários dias.
As mudanças climáticas contribuem para intensificar esses fenômenos. O aumento das temperaturas médias favorece a ocorrência de ondas de calor mais longas e severas. A Meteo France comparou a situação atual à onda de calor de 2003. Na ocasião, cerca de 80 mil mortes adicionais foram registradas em toda a Europa. Até o momento, não há previsão exata para o fim do episódio extremo.






