Coluna retificada: conheça a condição de saúde que fez o tenista João Fonseca desistir de torneio

Coluna retificada: conheça a condição de saúde que fez o tenista João Fonseca desistir de torneio

Coluna retificada explica desistência de João Fonseca em torneio; médico alerta que treinos intensos podem agravar a lesão em tenistas


João Fonseca, tenista de 19 anos e atual #29 do mundo, anunciou recentemente a sua desistência do ATP 250 de Adelaide, na Austrália, por conta de uma lesão muscular. O promissor atleta também revelou, em uma coletiva de imprensa, que o afastamento do torneio está ligado a um problema crônico em sua coluna. Segundo ele, a condição foi diagnosticada desde o nascimento e exige cuidados extras ao longo da preparação para competições. Para Dr. Rodrigo Góes, cirurgião especialista em coluna do Hospital Albert Einstein, os treinos podem agravar o quadro do brasileiro.

“Vale lembrar que os problemas nessa região são ainda mais comuns entre os tenistas. Isso porque o gesto esportivo envolve muita torção de tronco, muitas arrancadas e freadas bruscas, dessa forma, a região da lombar sofre com impactos constantes. Muitos desses atletas praticam desde muito cedo, além de passarem por treinos rotineiros, o overtraining também é algo comum. No caso do João, que já foi previamente diagnosticado com Lombalgia, o quadro pode se evoluir para uma fratura por estresse ou lesão muscular”, explica o médico.

Riscos e causas na coluna lombar

De acordo com o Dr. Rodrigo, atletas de alto rendimento tem grandes chances de desenvolver um problema crônico na coluna lombar, como a espondilólise, que causa uma descontinuidade da pars articulares. A patologia pode ser congenita ou por stress de muita atividade, como em bailarinas e atletas olímpicos.

Ainda na coletiva de imprensa realizada em Adelaide, o tenista afirmou que as dores na lombar surgem, principalmente, quando realiza movimentos de rotação e no ataque. De acordo com o Dr. Rodrigo Góes, o desconforto pode ser agravado já que João sofre do caso de coluna retificada.

“Nessa patologia, o paciente possui a diminuição da lordose lombar, o que não só pode causar dor, como rigidez e outros problemas posturais. Com uma rotina cheia de preparos físicos, pode haver uma sobrecarga na lombar, isso pode provocar uma sobrecarga óssea e fratura por estresse ou por fadiga, ou seja, quando não há um equilíbrio entre os treinos e os períodos de recuperação do atleta”, afirma o especialista.

Já a causa da patologia pode estar ligada à diferentes fatores, como a má postura ou o encurtamento muscular. Entre os sintomas da coluna retificada estão a rigidez do local, dor nas costas, coluna lombar reta e contraturas musculares. Caso não seja diagnosticada e tratada corretamente, o quadro pode se agravar à uma artrose, em médio e, principalmente, a longo prazo.

Exames e decisão médica

“Normalmente e na maioria dos casos, o diagnóstico da patologia só poderá ser concluído através de exames de imagem, como uma ressonância magnética. Por se tratar de um exame preciso, ele é o mais indicado já que muitos pacientes podem confundir o incômodo na coluna com outras patologias comuns. Vale lembrar que o o histórico clínico, queixas e exame clínico realizado em consultório também serão analisados para concluir o diagnóstico”, explica Dr. Rodrigo.

Não à toa, o tenista de 19 anos explicou, durante a entrevista concedida, o processo médico que o levou a tomar a decisão de se retirar do ATP 250 de Adelaide: “Fizemos uma ressonância magnética e não é nada muito grave, mas pode se tornar grave. Então, quero estar 100% para continuar jogando”, explica João.

“No caso do João, o repouso e o descanso são essenciais para a recuperação. O saque e o forehand, que são os principais golpes e muito praticados durante os treinos, sobrecarregam a lombar, devem passar por uma pausa. Já a prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios podem aliviar o desconforto causado pela patologia e pela lesão muscular”, finaliza o médico.

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