Ataque militar ao Irã eleva petróleo acima de US$79 e pressiona dólar no Brasil; mercado teme impactos no Estreito de Ormuz
Os mercados globais iniciaram a segunda-feira (2) sob forte tensão após a ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito provocou centenas de mortes, incluindo o líder supremo iraniano Ali Khamenei, segundo relatos internacionais. Investidores reagiram com busca por ativos considerados mais seguros. O contrato futuro do petróleo tipo Brent subiu cerca de 7,6% e se aproximou de US$ 79 o barril em Londres. Durante o pico da manhã, a cotação chegou a superar US$ 80, refletindo a volatilidade do cenário.
O petróleo WTI também avançou e foi negociado acima de US$ 71 em Nova York. No Brasil, as ações da Petrobras registraram alta próxima de 4% na B3. O dólar interrompeu a trajetória de queda das últimas semanas e voltou a se aproximar de R$ 5,20. O movimento reflete a chamada fuga do risco, comum em momentos de incerteza geopolítica. Analistas destacam que os preços devem seguir sensíveis a novos desdobramentos militares.
Estreito de Ormuz concentra temores globais
A principal preocupação do mercado recai sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pela via marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Relatos indicaram embarcações ancoradas e dificuldades de navegação após o início dos ataques. Especialistas avaliam que o risco não está na produção, mas na logística de escoamento. A OPEP+ anunciou aumento de produção no domingo (1º) para tentar equilibrar a oferta. Mesmo assim, a capacidade adicional pode não compensar um eventual bloqueio prolongado da rota.
Economistas alertam que qualquer interrupção consistente reduziria rapidamente os estoques globais. O impacto tende a ser imediato nos contratos futuros e nos preços à vista. O Brasil, embora exportador de petróleo, importa derivados e pode sentir reflexos nos combustíveis. O cenário reforça a percepção de instabilidade no comércio internacional de energia.
Inflação, juros e câmbio entram no radar
A disparada do petróleo reacende o debate sobre inflação e política monetária. Custos mais altos de energia costumam pressionar cadeias produtivas e transporte. Analistas admitem risco de repasse ao consumidor caso o conflito se prolongue. O Banco Central do Brasil monitora o cenário antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária. O mercado já discutia a possibilidade de corte na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Com a nova tensão internacional, parte dos economistas prevê redução mais moderada dos juros. O dólar também reflete a realocação de capitais para economias consideradas mais seguras. Em momentos de crise, investidores vendem moedas emergentes e compram ativos em dólar ou iene. Ainda assim, alguns especialistas avaliam que o comportamento da moeda americana pode ser menos previsível que em crises anteriores. O ambiente permanece volátil e dependente dos próximos passos diplomáticos e militares.







