Hopi Hari encerra recuperação judicial após 9 anos, reduz dívidas e retoma autonomia para operar, negociar e planejar investimentos futuros
O parque temático Hopi Hari encerrou oficialmente seu processo de recuperação judicial após 9 anos de acompanhamento judicial. A decisão representa o fechamento de um dos períodos mais delicados da história do empreendimento, iniciado em 2016 em meio a uma grave crise financeira. O juiz Fábio Marcelo Holanda, da comarca de Vinhedo, decretou o encerramento do processo, onde está localizada a sede do parque. A medida teve parecer favorável da administradora judicial e do Ministério Público de São Paulo.
Para a atual gestão, o momento simboliza a retomada plena das condições normais de operação. O parque passa a atuar sem as restrições impostas pelo regime judicial. A decisão também reforça a avaliação de que a empresa cumpriu efetivamente o plano aprovado. Especialistas veem o caso como um exemplo de reestruturação longa, porém bem sucedida. A administração afirma que o aprendizado do período seguirá orientando as decisões futuras.
Cumprimento do plano confirma estabilidade operacional
A sentença judicial reconheceu que o Hopi Hari cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação. Entre 2022 e 2024, a empresa manteve pagamentos regulares aos credores e apresentou relatórios mensais de acompanhamento. A regularidade fiscal também foi preservada ao longo do período supervisionado. Mesmo com discussões pontuais sobre índices de correção monetária, o juiz entendeu que isso não impede o encerramento do processo.
A legislação permite concluir a recuperação judicial mesmo com habilitações ainda em análise. O ponto central considerado foi o cumprimento do plano aprovado em assembleia. Especialistas avaliam que o trâmite seguiu o padrão técnico esperado. A decisão devolve à empresa sua autonomia jurídica plena. Com isso, contratos e negociações deixam de depender de autorização judicial. O parque volta a operar dentro do regime empresarial comum. Esse retorno é considerado fundamental para o planejamento de longo prazo.
Redução da dívida e reorganização financeira
Segundo a direção do parque, a recuperação judicial reduziu de forma decisiva o endividamento acumulado ao longo dos anos. A dívida total caiu de aproximadamente R$1,4 bilhão para cerca de R$600 milhões. A administração considera o patamar atual compatível com a capacidade de geração de caixa do empreendimento. A administração reconhece que o valor ainda é elevado, mas afirma que se tornou administrável. O fim do processo traz mais agilidade para negociações com fornecedores e parceiros. Também facilita a contratação de serviços e o acesso a novas linhas de crédito.
A gestão reforça que a disciplina financeira continuará sendo prioridade absoluta. Não há expectativa de expansão acelerada no curto prazo. A estratégia é consolidar a estabilidade conquistada. O histórico recente tornou a empresa mais cautelosa em suas decisões. A avaliação interna é de que a recuperação trouxe maturidade à gestão.
Investimentos futuros e projetos em avaliação
Com a saída da recuperação judicial, o Hopi Hari passa a estruturar novos ciclos de investimento. Existe um plano em estudo que prevê cerca de R$280 milhões entre 2026 e 2028. As prioridades incluem modernização de atrações e aumento da capacidade operacional do parque. Um dos projetos mais relevantes é o retrofit da montanha russa Montezum. A infraestrutura física também deve passar por melhorias graduais.
Paralelamente, há estudos para o desenvolvimento imobiliário no entorno do parque. Entre as ideias avaliadas estão um shopping aberto e um complexo de hotéis e apartamentos turísticos. Esses projetos ainda dependem de análises econômicas, urbanísticas e regulatórias. A administração afirma que não há cronogramas fechados para essas iniciativas. A prioridade seguirá sendo o parque temático. A administração vê os empreendimentos complementares como etapas posteriores. A gestão destaca que crescimento só ocorrerá com bases financeiras sólidas.







