Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Tom Cruise e Al Pacino, aos 72 anos. Artista lutava contra ELA e marcou gerações com sua voz
Morreu nesta quinta-feira (5), aos 72 anos, o dublador Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais respeitados e reconhecidos da dublagem brasileira. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que afeta progressivamente as funções motoras, ele enfrentava um tratamento longo e complexo. Familiares confirmaram a morte nas redes sociais, o que gerou forte comoção entre colegas de profissão e admiradores. Embora discreto fora dos estúdios, Schnetzer construiu uma carreira sólida e profundamente conectada ao público. Sua voz atravessou décadas, formatos e gerações, tornando-se parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Para muitos espectadores, o público o conhecia sem vê-lo, reconhecendo-o apenas pelo timbre marcante. A notícia de sua morte rapidamente se espalhou entre profissionais do audiovisual. O setor perde uma de suas vozes mais emblemáticas.
Uma trajetória marcada por grandes astros
Ricardo Schnetzer ficou nacionalmente conhecido por dublar atores consagrados de Hollywood, criando uma identificação duradoura com o público brasileiro. Ele emprestou sua voz a personagens interpretados por Tom Cruise e Al Pacino em diferentes produções exibidas no país. Também esteve presente em filmes estrelados por Richard Gere e Nicolas Cage, sempre com interpretações precisas e consistentes. Sua atuação ajudou a consolidar a dublagem como parte essencial da experiência cinematográfica no Brasil. Ao longo dos anos, Schnetzer demonstrou versatilidade ao transitar entre dramas intensos e produções mais leves. A naturalidade de suas falas fazia com que o público se esquecesse da tradução. Seu trabalho respeitava o ritmo original das cenas e preservava emoções. Essa combinação o transformou em referência dentro dos estúdios.
Personagens que atravessaram gerações
Além do cinema, Schnetzer marcou presença forte na televisão e na animação, ampliando ainda mais seu alcance. Ele deu voz a Benson, da animação Apenas um Show, personagem que conquistou crianças e adultos. Também interpretou o Capitão Planeta, figura central de uma geração preocupada com questões ambientais. No universo dos animes, foi responsável por Albafica de Peixes em Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. Sua voz também ficou eternizada na novela A Usurpadora, como Carlos Daniel. Esses trabalhos ajudaram a construir vínculos emocionais profundos com o público. Muitas dessas produções seguem em exibição ou circulação digital. Assim, sua voz continua presente no cotidiano de diferentes gerações.
Doença, despedida e legado profissional
No início de 2026, a família de Ricardo Schnetzer tornou público o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica. Uma vaquinha online foi criada para ajudar a custear o tratamento, com meta de R$200 mil. A mobilização envolveu colegas de profissão, fãs e estúdios, e arrecadou mais de R$118 mil. A confirmação da morte foi feita pelo sobrinho do artista, o também dublador Victor Vaz, em uma homenagem emocionada. Ele destacou ensinamentos ligados à ética e ao compromisso profissional. Amigos lembram Schnetzer como alguém generoso, bem-humorado e sempre disposto a ajudar. Sua postura nos bastidores era tão admirada quanto sua voz. O silêncio deixado por sua partida contrasta com um legado que permanece vivo.






