O que já se sabe sobre a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro

Operação no RJ deixa rastro de mortes e abre debate sobre abuso de poder

Megaoperação na Penha e no Alemão deixa 121 mortos, 113 presos, fuzis apreendidos e expõe o poder bélico do Comando Vermelho no Rio


A megaoperação que policiais fizeram na terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, já aparece como a ação mais letal da história do estado e do Brasil. O governo do Rio informou que até esta quarta-feira (29), houve 121 mortos. Quatro deles eram policiais. Ao menos 113 suspeitos foram presos.

A polícia apreendeu 118 armas, incluindo 93 fuzis de guerra, além de toneladas de drogas, bombas artesanais e grande quantidade de munição. O alvo declarado foi o Comando Vermelho, facção apontada como uma das mais antigas e violentas do país. Cerca de 2,5 mil agentes civis e militares participaram. Houve apoio de blindados, helicópteros e equipes especiais. Autoridades estaduais classificaram a ação como necessária para recuperar território dominado pelo crime organizado armado com drones e explosivos. 

Como funcionou a estratégia chamada Muro do Bope

A Polícia Militar disse que montou uma barreira tática chamada Muro do Bope. A ideia foi entrar pela Serra da Misericórdia, isolar corredores usados pelos criminosos e empurrar os homens armados para áreas de mata. Ali já havia equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais posicionadas e preparadas para enfrentar fogo pesado. Segundo o secretário da PM, Marcelo de Menezes, os confrontos principais aconteceram longe das casas. O discurso oficial é direto. A missão era proteger o morador que trabalha e vive ali, e não deixar o narcoterror impor toque de recolher.

A corporação afirma que quem quis se render, se rendeu e foi preso. Quem escolheu atirar, caiu em combate. O governador Cláudio Castro chamou a operação de sucesso e disse que o Estado não pode aceitar que facções controlem bairros inteiros. O governo do Rio diz que a facção usou drones com bombas e colocou barricadas de ônibus roubados para bloquear vias e intimidar a polícia e a população. 

O impacto na cidade 

Houve bloqueios de ruas importantes. Escolas e universidades suspenderam aulas. Linhas de ônibus pararam. Moradores ficaram horas sem conseguir circular. A cena que correu o país foi a de dezenas de corpos levados por moradores até a Praça São Lucas, na Penha, depois de buscas em áreas de mata onde a polícia não conseguia chegar com rapidez. A Defensoria Pública fala em mais de 130 mortos e cobra perícia independente.

O governo estadual registra entre 119 e 121 mortos até agora e afirma que a imensa maioria eram criminosos já fichados ou com mandado de prisão. Dados preliminares divulgados pelo Estado apontam que dezenas dos mortos tinham antecedentes ou mandados em aberto. A gestão estadual acusa o crime de tentar usar a exibição coletiva de corpos para gerar comoção e deslegitimar a ação policial. A oposição e entidades de direitos humanos falam em execução e pedem investigação internacional. 

Ofensiva era inevitável

A cúpula de segurança afirma que a operação foi planejada por cerca de dois meses e baseada em investigação de mais de um ano sobre a cúpula do Comando Vermelho. O Estado aponta a facção como responsável por ataques com artefatos explosivos, cobrança de pedágios ilegais e controle armado sobre transporte e serviços. Para o governo do Rio, não agir significaria aceitar um enclave paralelo governado por traficantes equipados com arsenal de guerra. A polícia destaca que quatro agentes morreram em serviço, alguns deixando família e filhos, o que reforça o peso real dessa guerra diária.

As autoridades fluminenses dizem que a sociedade precisa reconhecer isso como um ato de coragem institucional e não tratar apenas como estatística. O governo local também mandou um recado a Brasília. Disse que não recebeu apoio federal direto na execução e que continua cobrando ação nacional contra o crime organizado. Integrantes do governo federal responderam que foram avisados, mas que não consideraram razoável participar da fase de confronto direto. A pressão agora vai para o Senado, que discute ampliar instrumentos legais para sufocar organizações criminosas.

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