Netflix avalia lançar TV ao vivo e novas parcerias para recuperar engajamento dos usuários e fortalecer o negócio de streaming
Embora continue na liderança do streaming por assinatura, a Netflix está procurando novas formas de reforçar o engajamento de seus usuários. A empresa vê sinais de desgaste em uma das métricas mais importantes do negócio. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, executivos da empresa passaram a discutir com mais frequência alternativas para fazer o assinante passar mais tempo dentro da plataforma e reduzir o risco de cancelamento. Entre as ideias em análise estão a criação de canais ao vivo, a venda de pacotes com outros streamings e a ampliação da aposta em eventos esportivos.
O tema ganhou peso internamente depois que o engajamento começou a mostrar sinais de enfraquecimento. A métrica mede quanto tempo o assinante passa assistindo a conteúdos e com que frequência ele termina um filme ou uma série. Esse é um indicador visto em Hollywood como essencial para retenção e crescimento de receita. A preocupação ajuda a explicar por que a Netflix parece mais disposta a testar caminhos que antes evitava.
Nos últimos 12 meses, as ações da empresa acumulam queda de mais de 40%. Em abril, a companhia divulgou um guidance decepcionante para o segundo trimestre, com margens operacionais mais baixas na comparação anual. Sua participação na audiência nos EUA recuou para 7,8% em abril, segundo a Nielsen. Esse foi o menor nível desde maio de 2025.
Como funcionaria a TV ao vivo
Segundo o Wall Street Journal, os canais lineares ficariam dentro da própria plataforma, transmitindo continuamente determinados programas ou conteúdos de um gênero específico. A aposta em programação ao vivo tem uma razão adicional: publicidade. O negócio de anúncios da Netflix ainda é relativamente novo, mas ganhou tração rápida e gerou cerca de US$ 1,5 bilhão no ano passado. A empresa afirmou no início deste ano que espera dobrar essa receita em 2026.
Nesse desenho, o conteúdo ao vivo tem um atrativo óbvio: ao contrário do consumo sob demanda, ele reduz a chance de o usuário simplesmente ignorar ou pular comerciais. Outro caminho de crescimento avaliado internamente é vender, pelo próprio app, assinaturas de serviços concorrentes, algo que gigantes como Amazon e Apple já fazem há bastante tempo.
Novos formatos e parcerias
A empresa também já começou a testar fórmulas de menor custo para preencher a plataforma e aumentar recorrência. Nos últimos meses, investiu em conteúdos como videopodcasts, vídeos previamente publicados no YouTube e, mais recentemente, em material de formato curto de editoras como BuzzFeed e Condé Nast.
Na França, a Netflix passou a oferecer aos assinantes acesso à programação da emissora TF1, incluindo notícias. Segundo o Wall Street Journal, a empresa vê esse modelo como um experimento e busca acordos semelhantes em outras regiões, como Europa e América Latina.
A companhia também segue avaliando a entrada mais seletiva em esportes ao vivo. Embora os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters tenham dito que não pretendem mergulhar na disputa bilionária por temporadas inteiras de direitos esportivos, a empresa já discute internamente oportunidades pontuais. Entre elas, segundo o jornal, estariam possíveis ofertas para transmitir as Copas do Mundo de 2030 e 2034.






