Pesquisa no RS mostra Zucco na liderança, empate entre Lula e Flávio Bolsonaro e dificuldade de Eduardo Leite transferir capital político
Pesquisa Realtime BigData mostra disputa fragmentada no RS, com liderança de Zucco ao governo, corrida ao Senado indefinida e eleitor mais exigente, segundo análise de Wilson Pedroso
A nova pesquisa eleitoral da Realtime BigData para o Rio Grande do Sul revela um cenário ainda em consolidação. O quadro é marcado pela fragmentação de votos e por um elevado índice de indecisos, especialmente na disputa pelo governo estadual.
O levantamento, realizado entre os dias 14 e 16 de março de 2026, ouviu 1.500 eleitores e apresenta margem de erro de 2 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%.
Disputa pelo governo segue aberta e com alta indecisão
Na corrida pelo governo, o deputado Luciano Zucco (PL) aparece na liderança no principal cenário estimulado, com 31% das intenções de voto, seguido por Juliana Brizola (PDT), com 24%, e Edegar Pretto (PT), com 19%. Gabriel Souza (MDB) soma 13%, enquanto Covatti Filho (PP) tem 3% e Marcelo Maranata (PSDB), 1%. Ainda há 4% de votos brancos ou nulos e 5% de indecisos.
Apesar da liderança, os números mostram um eleitorado longe de uma definição consolidada. Na pesquisa espontânea, por exemplo, 68% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder, evidenciando o baixo nível de cristalização das candidaturas neste momento.
Em cenários alternativos, Zucco mantém a dianteira, podendo chegar a 35% contra 30% de Juliana Brizola em uma simulação sem Edegar Pretto. Já em um eventual segundo turno, o deputado venceria Brizola por 40% a 37%, dentro da margem de erro, indicando disputa aberta. Contra Pretto, a vantagem é maior: 43% a 33%.
Eleitor mais exigente dificulta transferência de capital político
Ao analisar o quadro, o sócio estrategista da Realtime BigData, Wilson Pedroso, chama atenção para a dificuldade de transferência de capital político do atual governador até mesmo em uma eventual candidatura ao Senado.
“O eleitor gaúcho demonstra um comportamento cada vez mais seletivo e baixa adesão à continuidade automática de lideranças. Eduardo Leite não consegue converter sua visibilidade administrativa em mobilização eleitoral consistente, nem mesmo em um cenário de disputa para o Senado. Em termos práticos, é um eleitorado que anda intolerante à lactose”, afirma Pedroso.
Segundo o estrategista, o cenário indica um ambiente mais exigente, no qual a renovação de posicionamento se torna condição relevante para sustentar competitividade eleitoral.
Os dados da pesquisa reforçam essa leitura. Apesar de o governador Eduardo Leite ter aprovação de 59%, com 37% avaliando sua gestão como ótima ou boa. Seu desempenho eleitoral não acompanha esse patamar. No cenário para o Senado em que seu nome é incluído, ele aparece com 21% das intenções consolidadas, empatado tecnicamente com outros candidatos, evidenciando uma disputa pulverizada. Na corrida ao Senado sem Leite, o quadro permanece indefinido, com liderança dividida e forte fragmentação entre os principais nomes.
Polarização nacional se reflete no eleitor gaúcho
No cenário nacional, a pesquisa também indica um ambiente de forte polarização no estado. Na disputa pela Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ambos têm 40% das intenções de voto no principal cenário estimulado.
Quando o nome de Eduardo Leite é incluído na disputa presidencial, ele registra 16%, enquanto Lula soma 39% e Flávio Bolsonaro, 36%, mantendo a polarização como eixo central da eleição no estado. A pesquisa também mostra alta rejeição aos principais nomes nacionais, com índices elevados que reforçam o ambiente de disputa acirrada e pouco espaço para crescimento consolidado.
Outro dado relevante é o perfil das prioridades do eleitorado. Saúde lidera como principal demanda, seguida por infraestrutura e segurança pública, indicando que a agenda de gestão tende a pesar de forma decisiva na definição do voto.
No conjunto, os números apontam para um eleitor mais crítico, menos fiel e com maior propensão a reavaliar escolhas ao longo da campanha. A combinação de alta indecisão, rejeições elevadas e competitividade entre múltiplos nomes sugere que o cenário no Rio Grande do Sul ainda está longe de uma definição. Movimentos estratégicos ao longo dos próximos meses serão determinantes para consolidar candidaturas.







