Nicolás Maduro é preso pelos Estados Unidos, enfrenta acusações de narcoterrorismo e reacende debate sobre soberania e crise humanitária na Venezuela
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos nesta última sexta-feira (3) e levado a Nova York, onde passou a responder a acusações na Justiça americana. A operação, batizada de Operation Absolute Resolve, envolveu a atuação de forças especiais em Caracas e resultou também na detenção de sua esposa, Cilia Flores. Segundo autoridades norte-americanas, a ação teve como objetivo cumprir mandados expedidos por tribunais federais dos EUA. Esses mandados acusam Nicolás Maduro de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e conspiração com organizações armadas.
Neste sábado (4), Nicolás Maduro compareceu a uma audiência inicial no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan. Durante a sessão, ele se declarou inocente e afirmou ser um “presidente sequestrado”, classificando a prisão como uma violação do direito internacional. O tribunal informou que Maduro permanecerá sob custódia enquanto o processo avança. A promotoria dos EUA sustenta que o governo venezuelano teria usado estruturas estatais para facilitar o envio de grandes quantidades de cocaína ao território norte-americano ao longo de anos.
No mesmo dia da audiência, autoridades ligadas ao governo venezuelano classificaram a operação como uma “agressão militar estrangeira” e anunciaram medidas contra cidadãos acusados de colaborar com a ação dos EUA. O episódio provocou reações imediatas de aliados internacionais e abriu um debate sobre soberania, legalidade e precedentes diplomáticos.
Crise econômica e social na Venezuela
Antes da prisão de Maduro, a Venezuela já enfrentava uma grave crise econômica e humanitária. O país, que já foi uma das principais economias da América Latina, sofreu forte queda na produção de petróleo, hiperinflação prolongada e deterioração dos serviços públicos.Desde março de 2022, o salário mínimo venezuelano permanece congelado em 130 bolívares, valor que, em janeiro de 2026, equivale a cerca de R$2,34 por mês após sucessivas desvalorizações da moeda. A quantia é insuficiente para cobrir itens básicos de alimentação, transporte ou saúde.
Milhões de venezuelanos dependem de trabalhos informais, remessas do exterior ou auxílios estatais para sobreviver. A crise levou a um intenso fluxo migratório, considerado um dos maiores da história recente da América Latina.
Ao longo dos últimos anos, o governo de Nicolás Maduro acumulou críticas de organismos internacionais. As críticas envolvem restrições à liberdade de imprensa, repressão a opositores e questionamentos sobre a lisura de processos eleitorais. Relatórios apontam agravamento da pobreza, escassez de medicamentos e colapso do sistema de saúde. A prisão de Maduro adiciona um novo capítulo à instabilidade política da Venezuela, enquanto a população segue enfrentando dificuldades para garantir renda, alimentação e acesso a serviços essenciais.







