Latam demite piloto preso por suspeita de chefiar rede de abuso sexual infantil; polícia investiga vítimas e atuação organizada
A Latam Airlines Brasil anunciou a demissão de um piloto acusado de chefiar uma rede de abuso sexual infantil, após a prisão ocorrida no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A companhia comunicou a decisão em nota oficial e afirmou que o profissional não integra mais seu quadro de colaboradores. Segundo a empresa, a medida segue uma política de tolerância zero para condutas que violem valores éticos, normas internas e o código de conduta. O caso ganhou grande repercussão pela gravidade das acusações e pelas circunstâncias da prisão.
O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi detido temporariamente na segunda-feira (9). Ele estava dentro da aeronave e se preparava para um voo doméstico quando a Polícia Civil o abordou. As investigações apontam que os crimes teriam ocorrido ao longo de vários anos. A Latam informou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com todos os esclarecimentos necessários. A companhia também ressaltou que repudia qualquer prática criminosa. O voo ocorreu normalmente, sem impacto para os passageiros, mesmo com a prisão do piloto. A empresa reforçou ainda seus compromissos com segurança e conduta profissional. O desligamento ocorreu dois dias após a prisão. A decisão foi tratada internamente como imediata diante da gravidade do caso.
Prisão no aeroporto e estratégia policial
A Polícia Civil de São Paulo prendeu o piloto após conduzir uma investigação que durou cerca de três meses. De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a abordagem no aeroporto foi estratégica. Os investigadores relataram dificuldades para localizar o suspeito em sua residência. O piloto mora em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo. Como ele mantinha rotina de voos variável, a polícia solicitou informações sobre a escala de trabalho. Com base nesses dados, os agentes identificaram o voo que ocorreria naquela manhã.
A equipe chegou ao aeroporto por volta das 5h30. O suspeito já havia embarcado quando a abordagem ocorreu. A prisão foi feita de forma discreta dentro da aeronave. Segundo a polícia, a medida evitou riscos de fuga. A defesa do piloto informou que seguirá os protocolos legais. A advogada afirmou que o caso corre sob segredo de Justiça. Até o momento, não houve manifestação pública detalhada da defesa. A prisão é temporária e pode ser convertida conforme o andamento do processo.
Investigação revela estrutura organizada de crimes
As investigações indicam que o piloto utilizava documentos de identidade falsos para levar crianças e adolescentes a motéis, onde cometia os abusos. Segundo a polícia, ele se aproximava inicialmente de mães, avós ou responsáveis legais. Em seguida, deixava claro que o interesse era nas vítimas. As propostas envolviam pagamentos em dinheiro por imagens enviadas por aplicativos de mensagens. Os valores variavam entre R$30 e R$100 por imagem. Em alguns casos, os repasses incluíam compras de medicamentos e pagamento de aluguel. A polícia identificou ao menos dez vítimas no estado de São Paulo.
Os investigadores acreditam que o número real pode ser maior. O material apreendido indica possível atuação em outros estados. Além do piloto, a polícia prendeu temporariamente a avó de três vítimas. A polícia deteve uma mãe em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material ilegal. A polícia também apura a distribuição desse conteúdo a terceiros. Segundo os investigadores, há indícios de habitualidade e divisão de funções. Batizaram a operação de Apertem os Cintos. O inquérito apura crimes como estupro de vulnerável e exploração sexual infantil.






