Bolívia apreende 189kg de ouro em jatinho ligado a empresário brasileiro e investiga a origem da carga avaliada em R$120 milhões
As autoridades da Bolívia apreenderam 189,5 quilos de ouro no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A carga estava distribuída em quatro malas e seria transportada em um jatinho particular. Segundo a investigação, o destino final do minério era Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O ouro foi avaliado em mais de R$120 milhões. Um jovem de 22 anos foi preso em flagrante durante a operação. Ele se apresentou como responsável pela carga às autoridades bolivianas.
Os agentes identificaram 77 barras de ouro dentro das malas. A fiscalização encontrou irregularidades na documentação apresentada. Os investigadores informaram que não havia autorização válida para a exportação do material. A apreensão ocorreu no dia 22 de julho, mas ganhou ampla repercussão após a divulgação oficial da Aduana Nacional da Bolívia. A Justiça boliviana determinou o encaminhamento do ouro ao Banco Central da Bolívia, enquanto as autoridades continuam investigando o caso.
Polícia investiga origem da carga
A Força Especial de Luta Contra o Crime da Bolívia conduz uma investigação para descobrir a origem do ouro. O diretor da corporação, coronel Jhonny Coca, afirmou que novas diligências estão em andamento. As autoridades convocaram pessoas ligadas à documentação apresentada pelo suspeito para prestar depoimento. A empresa citada nos documentos possui registro legal no país. Mesmo assim, seus representantes deverão explicar por que o nome da companhia apareceu na tentativa de exportação. A polícia também realiza uma investigação digital sobre as movimentações do suspeito preso.
Além disso, pretende cumprir mandados de busca em diferentes endereços relacionados ao caso. Durante a fiscalização, os agentes verificaram o Sistema Único de Modernização Aduaneira e não localizaram qualquer autorização para a exportação do ouro. Um técnico do Serviço Nacional de Registro e Comercialização de Minerais confirmou que o formulário apresentado era inválido. As autoridades também investigam a eventual participação de servidores públicos na operação. O material permanece sob custódia do governo boliviano até a conclusão das investigações.
Empresário nega participação
A aeronave utilizada na operação possui matrícula brasileira e pertence ao empresário Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas. Segundo a empresa, o empresário não estava a bordo do avião no momento da ocorrência. O grupo informou que destina a aeronave ao uso particular e não oferece serviços de frete comercial. Em nota, a empresa afirmou que Valdir Zorzo tomou conhecimento do caso apenas pela imprensa. O comunicado também destaca que ele não autorizou qualquer atividade ilegal envolvendo o avião. O Grupo Dallas declarou que iniciou uma apuração interna imediatamente após tomar conhecimento da investigação.
A empresa acrescentou que preservou os registros relacionados à aeronave e está colaborando com as autoridades brasileiras e bolivianas. Segundo a defesa, o avião retornou ao Brasil após os procedimentos realizados na Bolívia e não permanece apreendido. Até o momento, não existe acusação formal contra o empresário ou contra o Grupo Dallas. As investigações continuam para identificar os verdadeiros proprietários do ouro e esclarecer todas as circunstâncias da tentativa de exportação ilegal.







