Influenciador Hytalo Santos é condenado a 11 anos por exploração sexual infantil; companheiro também recebe pena em regime fechado
A Justiça da Paraíba condenou o influenciador Hitalo José Santos Silva, conhecido como Hytalo Santos, por exploração sexual de crianças e adolescentes, com sentença proferida no último sábado (21). O juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa, fixou a pena em 11 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. O companheiro dele, Israel Natã Vicente, foi condenado a 8 anos, 10 meses e 20 dias, também em regime fechado. O caso ganhou repercussão nacional após investigações apontarem a exploração e divulgação de imagens envolvendo adolescentes nas redes sociais.
Decisão judicial e fundamentos da condenação
A sentença acolheu denúncias apresentadas pelo Ministério Público da Paraíba, que enquadrou os réus em crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. A legislação tipifica como crime a produção, reprodução e distribuição de conteúdo envolvendo violência ou exploração sexual de menores. O processo também abordou condutas relacionadas ao aliciamento e à exposição indevida de adolescentes em plataformas digitais. Segundo a investigação, o casal lucrava com a difusão de imagens de jovens em situações consideradas exploratórias.
A Polícia prendeu os dois em agosto de 2025, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, ao cumprir mandados expedidos pela Justiça paraibana. O Ministério Público do Trabalho também atuou no caso e solicitou o bloqueio de bens do influenciador. A decisão judicial ainda determinou o acionamento da Interpol para fins de cooperação internacional, considerando a possibilidade de circulação de conteúdo fora do país. A sentença destacou a gravidade dos fatos e a necessidade de repressão firme a crimes dessa natureza.
Repercussão nacional e debate sobre adultização
O caso teve ampla repercussão nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a exposição precoce de crianças e adolescentes na internet. No ano passado, influenciadores e criadores de conteúdo alertaram para a prática de adultização infantil em plataformas digitais. O influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, foi um dos que criticaram perfis que divulgam jovens em situações consideradas inadequadas. Especialistas apontam que a exposição pode gerar riscos à integridade física e psicológica de menores.
Organizações de proteção à infância reforçaram a importância de fiscalização e responsabilização de adultos que utilizam crianças para obtenção de lucro ou visibilidade. O debate também envolveu a responsabilidade das plataformas digitais no monitoramento de conteúdos sensíveis. Autoridades reafirmaram que a legislação brasileira pune com rigor a exploração sexual infantil e orientaram a população a registrar denúncias pelos canais oficiais de proteção.
A defesa de Hytalo Santos e Israel Natã Vicente divulgou nota criticando a decisão judicial. Os advogados alegam que a sentença ignorou provas e depoimentos apresentados durante a instrução processual. A equipe jurídica sustenta que o casal é alvo de preconceito e afirma que recorrerá da decisão nas instâncias superiores. Também informou que pretende acionar o Conselho Nacional de Justiça para apurar eventual conduta do magistrado.
Em manifestação pública, o advogado Sean Kompier Abib reiterou que testemunhas teriam alterado versões iniciais e negado irregularidades atribuídas aos réus. A defesa afirma confiar na revisão do caso pelo Tribunal de Justiça. Até o momento, a condenação permanece válida e os réus seguem submetidos às determinações judiciais.







