Justiça determina remoção de perfis de médica da Fiocruz após publicações falsas sobre saúde pública

Justiça determina remoção de perfis de médica da Fiocruz após publicações falsas sobre saúde pública

Justiça manda retirar perfis de médica da Fiocruz por desinformação sobre vacinas, câncer e suposta contaminação por urânio


A Justiça Federal determinou a remoção de dois perfis ligados à médica Isabel de Fátima Alvim Braga das plataformas da Meta após publicações consideradas falsas e ofensivas contra a Fiocruz. A decisão atendeu a um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União em nome da Fundação Oswaldo Cruz. Segundo a instituição, os conteúdos publicados pela servidora pública disseminavam informações enganosas sobre vacinas, pesquisas científicas e temas de saúde pública. O juiz federal Paulo André Espírito Santo Menfredini afirmou que as postagens indicavam uma campanha sistemática de desinformação. O magistrado também citou a presença de discurso de ódio direcionado à instituição científica. A decisão destaca que as publicações ultrapassavam os limites da liberdade de expressão e da crítica institucional. 

A Justiça entendeu que havia tentativa de desmoralizar a Fiocruz perante a opinião pública. A Fundação alegou que a médica utilizava imagens do Castelo Mourisco, sede da instituição no Rio de Janeiro, para dar credibilidade às alegações. Segundo o processo, o uso da imagem institucional poderia induzir a população ao erro. A decisão também proibiu a servidora de publicar novos conteúdos usando símbolos ou referências visuais da Fiocruz. Em caso de descumprimento da determinação judicial, foi estabelecida multa diária de R$ 10 mil. Até a tarde desta terça-feira, os perfis mencionados na ação já apareciam indisponíveis nas plataformas digitais.

Vídeo sobre urânio foi desmentido

Um dos principais pontos citados no processo envolve um vídeo divulgado pela médica em frente à sede da Fiocruz. Na gravação, ela afirmava que o Rio de Janeiro estaria contaminado por urânio devido ao uso de acetato de uranila em uma pesquisa científica. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear desmentiu a alegação ainda em fevereiro. O UOL Confere também verificou os fatos do conteúdo. A Fiocruz afirmou que não havia qualquer risco de contaminação relacionado ao estudo mencionado pela servidora. A médica enviou posteriormente uma tese acadêmica defendida em 2019 como forma de justificar as acusações. O trabalho citado recebeu reconhecimento acadêmico e premiações nacionais nos anos seguintes. 

A pesquisadora responsável pela orientação da tese reforçou a posição oficial da Fiocruz contra a disseminação de informações falsas. A instituição declarou que o conteúdo divulgado nas redes sociais comprometia a confiança da população em pesquisas científicas e campanhas de imunização. O juiz responsável pelo caso também mencionou vídeos em que a médica relacionava vacinas contra a covid-19 ao aumento de casos de câncer. Órgãos de saúde e plataformas de checagem já haviam desmentido essas afirmações anteriormente. A Justiça considerou que o conjunto das publicações apresentava potencial de causar danos à saúde pública e à credibilidade científica.

Processo disciplinar segue aberto

Além da ação judicial, Isabel Braga também responde a um processo administrativo disciplinar dentro da própria Fiocruz. A instituição informou que recebeu denúncias por meio da ouvidoria após a circulação dos vídeos nas redes sociais. Os relatos foram encaminhados para a Corregedoria Setorial da fundação, responsável pela apuração interna. Segundo a Fiocruz, o procedimento busca avaliar eventual violação de deveres funcionais por parte da servidora. A médica também participou de uma audiência pública no Senado que discutiu um projeto de lei sobre fake news envolvendo vacinas. O texto em debate prevê punições para quem divulgar informações falsas relacionadas à imunização. 

A decisão judicial que determinou a suspensão dos perfis citou a participação da servidora no debate. A Meta informou que não comentaria o caso envolvendo a remoção das contas. Já a médica não respondeu aos contatos enviados pela imprensa até a publicação desta reportagem. A Fiocruz reiterou que defende a ciência e o combate à desinformação em saúde pública. Especialistas apontam que conteúdos falsos sobre vacinas e pesquisas científicas podem reduzir a adesão da população a políticas de prevenção. O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão em publicações relacionadas à saúde coletiva.

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