Entenda como funciona a escala Shindo, usada no Japão para medir a intensidade dos terremotos, e a diferença em relação à Richter
A Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês) classificou preliminarmente o terremoto que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), no ponto mais alto de sua escala de medição. Com o nível 7, o terremoto teria atingido a mesma intensidade do tremor de março de 2011, em Fukushima, que gerou um tsunami e causou quase 20 mil mortes.
Mas a escala usada (“Shindo”) no Japão é diferente da utilizada pelos especialistas do restante do mundo. O padrão internacional é o uso da escala de Richter, que mede a magnitude do tremor, ou seja, a quantidade de energia liberada no epicentro do terremoto. Essa escala pode chegar até 9,5 (isso aconteceu no Chile, em 1960).
Japão e Taiwan, dois países muito atingidos por terremotos, medem a intensidade sísmica, que calcula o grau de tremor em um determinado ponto da superfície — quanto maior o número, mais forte é o tremor.
O (“Shindo”) logo acima do epicentro normalmente será o mais alto, com o nível recuando conforme a distância aumenta do epicentro.
A escala de intensidade do Japão vai de zero a 7, com os níveis 5 e 6 subdivididos em “superior” e “inferior”. No nível 7, diz a agência meteorológica, é “impossível permanecer de pé”. Pessoas podem ser “lançadas pelo ar”, prédios de madeira podem desabar e até mesmo paredes de concreto armado podem desabar.
Quando o nível 7 já foi registrado?
A escala “Shindo” registrou o nível 7 em apenas poucas ocasiões: na tragédia de março de 2011, no terremoto de Kobe, em 1995, e no terremoto de Chuetsu, em 2004. Esse terremoto matou 46 pessoas e descarrilou um trem-bala.
No terremoto de Fukushima, por exemplo, que atingiu quase todo o país, as autoridades registraram leituras de “shindo” que variaram de 7 (em parte da Prefeitura de Miyagi) a 5 em partes de Tóquio e até um quase imperceptível 1 em Kyushu.
Até 1996, a equipe da agência espalhada pelo país media principalmente o (“shindo”) e, por mais de um século, relatava a intensidade do tremor. Depois, a equipe avaliava a extensão dos danos deixados, segundo documentação no site da agência, diz o jornal Japan Times.
Agora, uma rede de sismógrafos se estende pelo país, medindo as ondas P iniciais quando um terremoto ocorre. Os computadores da agência compilam os dados e quase instantaneamente emitem estimativas do tamanho e da provável localização.
Como funciona o sistema de alerta do Japão?
Segundo o site do jornal, essa rede desempenha um papel crucial para informar o sistema de alerta antecipado do Japão. Quando um terremoto de determinado tamanho é detectado, alertas são emitidos para celulares, telas de TV e indústrias. Os trens param automaticamente, e as pessoas têm tempo para se preparar antes que as ondas “S” mais prejudiciais cheguem.
Em 2013, a agência precisou pedir desculpas após alertar erroneamente sobre um iminente terremoto de magnitude 7,8 na região do Kansai. O terremoto nunca se concretizou.






