Prédio onde vivem 154 famílias no Rio é desocupado por risco de colapso estrutural da construção

Ocupação Zumbi dos Palmares

Prédio com mais de 100 famílias é desocupado no Rio de Janeiro devido a riscos estruturais; famílias enfrentam incertezas com soluções habitacionais temporárias


Desocupando histórias: a séria realidade do prédio interditado

Na manhã desta segunda-feira (16), mais de 100 famílias deixaram o edifício desativado do INSS, no centro do Rio de Janeiro. Localizado na Avenida Venezuela, 53, o prédio conhecido como Ocupação Zumbi dos Palmares era lar de centenas de pessoas há mais de duas décadas. A desocupação foi resultado de uma reintegração de posse pedida pelo INSS e autorizada pela Justiça Federal em agosto deste ano, com a data definida pela 2ª Vara Federal em novembro.

O edifício, que estava interditado pela Defesa Civil devido aos riscos estruturais, foi desocupado com apoio da Comissão de Soluções Fundiárias do TRF2. A prefeitura participou ativamente, fornecendo caminhões de mudança para transportar os pertences dos moradores e oferecendo aluguel social para as famílias. Entretanto, a medida foi criticada por ser implementada com pouco tempo para adaptação. Algumas famílias relataram dificuldades para descontar os cheques recebidos e encontrar moradias adequadas.

Um clima de tensão e incerteza marcou as primeiras horas da manhã. A polícia isolou a área e interditou a Avenida Venezuela antes das 8h, enquanto equipes do Batalhão de Choque estavam de prontidão, mas não precisaram intervir. Os moradores retiraram voluntariamente seus pertences, temendo um confronto policial.

Uma transição marcada por incertezas e desesperança

A situação das famílias desalojadas evidencia a precariedade das soluções habitacionais oferecidas. Segundo a coordenadora do Najup, Mariana Trotta, o curto prazo para realocação deixou muitos moradores desamparados. Algumas famílias buscaram abrigo em casas de parentes ou amigos, enquanto outras se direcionaram a novas ocupações no centro.

Mariana Trotta criticou a falta de diálogo durante a elaboração do plano de desocupação. Ela destacou que o pagamento do aluguel social, feito em cheques apenas três dias antes da desocupação, dificultou a organização das famílias. Algumas não conseguiram descontar o valor a tempo, agravando a situação de vulnerabilidade.

Michele de Abreu, que vivia no prédio há cinco anos, encontrou abrigo temporário na casa de uma amiga. Já Rutilene de Abreu relatou que, sem opções, planeja construir um barraco embaixo de uma ponte. Parentes acolheram Jurema Francisco Ferreira, que morava com a filha e a neta, mas ela expressou preocupação com a falta de condições para pagar um aluguel na região central.

Entre os desalojados, muitas histórias refletem a dura realidade enfrentada por quem perdeu seu lar. Rafaela Avelino, mãe de uma menina de 7 anos, espera conseguir alugar algo no centro para manter sua rotina de trabalho e estudo. Para alguns, como um casal com um bebê de colo, a alternativa foi buscar abrigo em outras ocupações, pois o valor do aluguel social é insuficiente para garantir uma moradia digna.

O futuro incerto do edifício e das famílias

A prefeitura do Rio manifestou interesse em adquirir o prédio, mas o INSS destacou que ajustes na avaliação de mercado são necessários. Paralelamente, o imóvel está em processo de transferência para a Secretaria de Patrimônio da União, que decidirá sobre seu futuro uso. Mariana Trotta destacou que as autoridades ainda não confirmaram a destinação do prédio para habitação de interesse social, apesar da necessidade disso.

Enquanto isso, o desamparo das famílias desalojadas revela um sistema habitacional insuficiente para atender às demandas da população em situação de vulnerabilidade. Sem soluções definitivas, a incerteza persiste, deixando muitas famílias sem alternativas viáveis para reconstruir suas vidas.

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