Especialistas explicam mitos e verdades sobre medicamentos e alertam para riscos do uso incorreto e descarte inadequado
No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses produtos e esclarece dúvidas comuns sobre o tema. Automedicação, interrupção de antibióticos antes do prazo indicado, armazenamento inadequado e descarte no lixo comum estão entre os hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente.
“Temos legislação e protocolos para controlar e orientar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos.
Medicamentos devem ser tomados sempre com água?
Verdade. A água costuma ser a forma mais segura de ingerir medicamentos, já que outras bebidas podem interferir na absorção ou aumentar o risco de reações indesejadas. Leite, sucos, café, chás e bebidas alcoólicas podem interagir com alguns remédios.
Tomar remédio com alimento sempre corta o efeito?
Mito. Isso depende do medicamento. Alguns devem ser ingeridos após as refeições, enquanto outros exigem jejum ou cuidados específicos com alimentos e bebidas. A vitamina D, por exemplo, tende a ser melhor absorvida quando ingerida junto às refeições. Já o antibiótico ciprofloxacino deve ser administrado com intervalo de cerca de duas horas em relação ao consumo de alimentos lácteos ou enriquecidos com minerais como ferro, magnésio e zinco, pois isso pode prejudicar sua absorção.
Medicamentos líquidos fazem efeito mais rápido?
Verdade, em geral. Como já estão dissolvidos, medicamentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo do que comprimidos. Isso, no entanto, não significa que sejam sempre melhores ou mais indicados. A escolha da apresentação depende do tipo de medicamento, da condição clínica do paciente e da orientação profissional.
Tomar remédio vencido alguns dias depois não faz mal?
Mito. Fora do prazo de validade, não há garantia de eficácia nem de segurança. Além disso, armazenamento inadequado também pode comprometer o produto antes mesmo do vencimento. Temperatura, umidade e exposição à luz solar podem interferir na conservação do medicamento, por isso é importante observar as orientações da embalagem e da bula.
Álcool não interfere na medicação?
Mito. Bebidas alcoólicas podem alterar o efeito dos medicamentos, aumentar reações adversas e, em alguns casos, provocar efeitos graves. Em geral, não se recomenda o consumo de álcool durante o tratamento medicamentoso, especialmente sem orientação profissional.
Antibiótico na veia é sempre mais forte do que o oral?
Mito. Segundo Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda existe a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz, mas isso não vale para todas as situações. Em muitos casos, quando o paciente apresenta melhora clínica e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca pode ser segura e benéfica. “Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.
Posso guardar sobras de antibiótico para usar em outra ocasião?
Mito. Antibióticos não devem ser reaproveitados sem avaliação médica. Infecções diferentes podem exigir medicamentos, doses e tempos de tratamento distintos. Usar sobras de tratamentos anteriores aumenta o risco de falha terapêutica, efeitos adversos e resistência bacteriana.
Medicamentos podem ser descartados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário?
Mito. O descarte incorreto oferece riscos domésticos e ambientais. Medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens que tiveram contato direto com o produto devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana.






