MiniMax estreia em Hong Kong, dobra o valor das ações no primeiro dia e alcança avaliação de US$ 13,7 bilhões com foco em IA
A MiniMax Group, uma das principais startups de inteligência artificial da China, estreou na Bolsa de Hong Kong com forte valorização e chamou a atenção do mercado global. A empresa se tornou o segundo chamado tigre de IA chinês a abrir capital. As ações fecharam o primeiro dia de negociação a HK$345 (sigla para dólar de Hong Kong). O preço de oferta havia sido fixado em HK$165. Com isso, os papéis mais que dobraram de valor em poucas horas. Em determinado momento do pregão, chegaram a atingir HK$351,80. A alta avaliou a companhia em cerca de US$13,7 bilhões. O IPO levantou HK$4,8 bilhões, o equivalente a aproximadamente US$620 milhões. Os recursos serão destinados principalmente a pesquisa e desenvolvimento. O desempenho superou com folga a estreia da rival Zhipu AI, que havia subido 13% no dia anterior.
Analistas apontam que o foco da MiniMax em produtos voltados ao consumidor final foi decisivo para a recepção positiva do mercado. Segundo Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia, investidores buscaram oportunidades de crescimento acelerado. A estratégia contrasta com a da Zhipu AI, mais concentrada em contratos com governos e empresas. Esse perfil foi visto como estável, mas menos atrativo em um mercado movido por expectativas. Outro fator citado foi o desempenho técnico dos modelos da MiniMax. A empresa se destacou em benchmarks relevantes com soluções de código aberto. Isso reforçou a percepção de inovação e competitividade. O momento também favoreceu a listagem. A inteligência artificial segue no centro do interesse global dos investidores. Em Hong Kong, o apetite por empresas de tecnologia voltou a crescer. A estreia bem-sucedida ajudou a consolidar esse movimento.
Produtos populares e investidores de peso sustentam a valorização
Fundada no início de 2022, a MiniMax tem sede em Xangai. A empresa foi criada por Yan Junjie, ex-executivo da SenseTime. Ela desenvolve modelos de IA capazes de processar texto, áudio, imagens, vídeo e música. Entre os aplicativos mais conhecidos estão o Hailuo AI, voltado à geração de vídeos, e o Talkie. O Talkie permite que usuários conversem com personagens virtuais baseados em inteligência artificial. Durante a cerimônia de listagem, Yan afirmou que a abertura de capital marca apenas o começo da trajetória da empresa. Ele destacou a expectativa de avanços rápidos no setor nos próximos anos. A MiniMax conta com investidores de peso. Entre eles estão Alibaba, Abu Dhabi Investment Authority, Boyu Capital e Mirae Asset. A presença desses nomes reforçou a confiança do mercado. Analistas avaliam que o apoio financeiro e estratégico será crucial para a expansão internacional.
A estreia da MiniMax ocorre em um momento de aquecimento do mercado de IA chinês. A Zhipu AI, primeira dos tigres de IA a abrir capital, subiu mais 20,6% nesta sexta-feira. A empresa levantou HK$4,35 bilhões em seu IPO. Atualmente, sua avaliação gira em torno de US$9 bilhões. A OpenAI já citou a Zhipu como uma concorrente chinesa relevante, especialmente em contratos governamentais. Apesar do entusiasmo, a empresa de IA mais conhecida da China, a DeepSeek, ainda não anunciou planos de IPO. Outras companhias se movimentam nos bastidores. A xFusion, spin-off de servidores de IA da Huawei, prepara uma listagem no continente. A ChangXin Memory Technologies e a Kunlunxin, braço de chips de IA da Baidu, também avaliam abrir capital. O cenário indica que a IA deve continuar no centro das novas ofertas chinesas.






