Copa do Mundo pode impulsionar vendas em supermercados em 4,7%, com alta no consumo antes dos jogos da seleção brasileira
Consumo em queda, busca por preços mais baixos e diminuição nas compras de bebidas alcoólicas e carnes mais caras marcaram o varejo alimentar nos últimos meses. Esses foram alguns dos principais desafios enfrentados pelo setor. Com a chegada da Copa do Mundo, esse cenário pode mudar. A pesquisa ‘Efeito Partida’, da Scanntech, projetou uma alta de 4,7% no faturamento durante os 39 dias de competição. O estudo também prevê um salto de 70% no volume de vendas nas duas horas que antecedem os jogos da seleção brasileira.
“Nos últimos meses, vimos que os consumidores estavam mais criteriosos em relação às compras de supermercados. Antes, o público montava o carrinho com mais espontaneidade. Com o orçamento mais apertado, os produtos passaram a ser escolhidos de forma estratégica. Entretanto, a Copa do Mundo é uma grande festividade. Além do amor pelo futebol, a competição funciona como um evento que reúne famílias e amigos”, explica Leandro Rosadas.
Ainda de acordo com o estudo da Scanntech, os supermercadistas devem estar preparados para dois tipos de compra. Na véspera dos jogos da seleção brasileira, o consumidor tende a ser mais planejador. Ele pode gastar cerca de 25% a mais em itens de celebração. Isso deve resultar em carrinhos mais cheios e variados.
Consumo planejado e aumento no ticket médio
“O consumidor estará mais disposto a gastar um pouco mais com itens festivos. Diante disso, os lojistas devem se atentar ao controle de estoque e à logística. É essencial oferecer opções de bebidas alcoólicas, como cervejas, vinhos e drinks enlatados. Também é importante incluir versões sem álcool. Snacks e aperitivos de preparo rápido serão destaque. Por isso, é necessário ampliar o leque de opções durante a Copa do Mundo”, recomenda Leandro.
Outra estratégia apontada pelo especialista é a criação de áreas temáticas dentro das lojas. Exemplos incluem o ‘cantinho do churrasco’ no açougue e a exposição de produtos de consumo rápido. Entre eles estão batata chips, amendoins e pipocas de micro-ondas. Esses itens são mais acessíveis e versáteis. Eles atendem o público que deseja aproveitar a Copa sem comprometer o orçamento.
Já o segundo perfil de consumidor é aquele que compra na correria. Ele recorre ao supermercado para adquirir itens de última hora. Segundo o estudo ‘Efeito Partida’, o pico de movimento ocorre nos 120 minutos antes do início dos jogos. Nesse período, os consumidores buscam completar o que falta para a celebração.
Compras de última hora e estratégias de conveniência
“Para quem está com pressa, é interessante oferecer kits pré-montados com itens essenciais. Esses kits podem incluir aperitivos, bebidas e produtos de conveniência, como gelo e carvão. Essa estratégia facilita a vida do cliente. Ela atende especialmente quem decide passar no supermercado pouco antes de encontrar amigos ou familiares”, afirma Rosadas.
O estudo também apontou os itens com maior potencial de crescimento durante a Copa do Mundo. Entre eles estão churrasqueiras e acessórios, com alta de 227,5%. Também aparecem pipoca de micro-ondas (119,9%) e itens para Air Fryer (112,4%). Cervejas de baixa caloria (86%) e refrigerantes zero (42%) completam a lista.
“Este é um momento estratégico para o varejo alimentar aumentar o faturamento. O consumo vinha desacelerado por causa de juros elevados, endividamento das famílias e inflação de serviços. A Copa surge como uma oportunidade de impulsionar vendas de produtos que estavam sendo evitados”, conclui o especialista.







