Passageiros espanhóis expostos a hantavírus em navio serão isolados em hospital militar após surto que matou três pessoas
As Ilhas Canárias se preparam para uma operação sanitária de emergência com a chegada do navio de cruzeiro MV Hondius a Tenerife, após um surto de hantavírus registrado durante a viagem. O episódio provocou três mortes entre oito casos confirmados e mobilizou autoridades de saúde espanholas, que decidiram colocar os passageiros espanhóis em isolamento total após o desembarque.
As autoridades já retiraram da embarcação todas as pessoas com sintomas. Cerca de 140 passageiros seguem assintomáticos e continuam sob monitoramento médico constante, segundo o Ministério da Saúde da Espanha.
Entre os passageiros estão 14 espanhóis que serão transferidos para Madri após a chegada ao território espanhol. Eles permanecerão em isolamento na Unidade de Isolamento e Tratamento de Alto Nível do Hospital Gómez Ulla, estrutura criada após a crise do Ebola em 2014.
Quarentena pode durar semanas
As autoridades ainda não definiram quanto tempo os passageiros permanecerão isolados. Especialistas afirmam que o período de incubação do hantavírus pode chegar a 45 dias, o que exige acompanhamento médico prolongado. Segundo epidemiologistas espanhóis, será necessário calcular precisamente a data provável de exposição ao vírus. Os primeiros casos surgiram entre 6 e 28 de abril durante a viagem do cruzeiro.
Os médicos descartam, por enquanto, a possibilidade de liberar passageiros apenas com exames sorológicos. Isso ocorre porque pessoas sem sintomas podem não apresentar marcadores capazes de indicar infecção anterior. As autoridades adotarão uma estratégia baseada no monitoramento contínuo dos sintomas. Os pacientes passarão por avaliações frequentes para detectar rapidamente febre, dores musculares, desconforto respiratório e alterações gastrointestinais.
Especialistas explicam que os primeiros sinais da doença costumam se parecer com uma gripe forte. Em alguns pacientes, porém, o quadro evolui rapidamente para comprometimento pulmonar grave. Nos casos mais severos, os infectados precisam de tratamento intensivo e suporte respiratório. A evolução clínica pode piorar em poucos dias após o surgimento dos sintomas iniciais.
Autoridades tentam evitar alarmismo
O governo espanhol reforçou que o risco de transmissão para a população é extremamente baixo. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García afirmou que o governo planejou os protocolos de segurança para impedir qualquer disseminação do vírus nas Ilhas Canárias. O porto de Granadilla foi escolhido justamente por apresentar menor circulação de pessoas e embarcações. Equipes médicas utilizarão equipamentos completos de proteção individual durante toda a operação.
Especialistas afirmam que a variante associada ao surto é provavelmente a cepa Andes, uma das poucas capazes de apresentar transmissão entre humanos. Mesmo assim, os casos conhecidos exigem contato muito próximo e prolongado. Pesquisadores destacam que situações como a do cruzeiro são incomuns porque mais de cem pessoas compartilharam espaços fechados durante semanas. Esse ambiente favorece contatos contínuos entre passageiros e tripulantes.
A Organização Mundial da Saúde informou que não há presença de roedores no navio. A hipótese mais provável é que o casal inicialmente infectado tenha contraído o vírus antes do embarque, durante passagem pela Argentina.
Navio passará por desinfecção
As autoridades espanholas ainda não detalharam o futuro do MV Hondius após o desembarque completo dos passageiros. Epidemiologistas acreditam que uma limpeza úmida deve ser suficiente para eliminar riscos residuais. Especialistas ressaltam que o hantavírus é conhecido há décadas e possui mecanismos de transmissão bem documentados. Diferentemente da covid-19, os cientistas já entendem como a doença se espalha e quais grupos apresentam maior risco.
O hantavírus é considerado altamente letal, mas pouco contagioso. Em casos graves, a taxa de mortalidade pode chegar a 50% sem atendimento rápido. Médicos afirmam que o tratamento precoce reduz significativamente o risco de morte. Como não existe vacina nem medicamento específico, o suporte intensivo continua sendo a principal forma de salvar pacientes.
As autoridades sanitárias espanholas acompanham os passageiros expostos e mantêm o navio sob vigilância para impedir novos casos graves, enquanto reforçam que não há risco de epidemia no país.






