OMS declara emergência internacional após avanço do Ebola em Uganda e Congo, com mortes suspeitas e risco de propagação regional
A Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde, declarou que o novo surto de Ebola registrado em Uganda e na República Democrática do Congo representa uma emergência de saúde pública de interesse internacional. A decisão ocorreu após o aumento acelerado de mortes suspeitas e casos monitorados na região central da África. Segundo a entidade, autoridades de saúde já haviam notificado pelo menos 80 mortes suspeitas até este sábado (16). O balanço também apontava oito casos confirmados em laboratório e 246 ocorrências suspeitas em investigação. Autoridades sanitárias afirmaram que o cenário preocupa pela rápida circulação do vírus em áreas de fronteira.
A OMS destacou que o risco de transmissão para países vizinhos aumentou nas últimas semanas. Mesmo assim, a agência informou que a situação ainda não atende aos critérios de uma pandemia global. O alerta internacional busca ampliar a cooperação entre governos e acelerar medidas de contenção. Equipes médicas seguem mobilizadas em regiões consideradas críticas. Especialistas também monitoram deslocamentos populacionais nas zonas afetadas. A doença voltou a pressionar sistemas de saúde fragilizados por conflitos e falta de infraestrutura. O Ebola foi identificado pela primeira vez no Congo em 1976 e permanece como uma das doenças mais letais do continente africano.
Avanço do surto
Os principais registros da doença estão concentrados na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo. Os casos suspeitos foram detectados nas zonas de saúde de Bunia, Rwampara e Mongbwalu. A OMS informou que as amostras iniciais apresentaram uma taxa de positividade elevada. Isso indica que o número real de infectados pode ser muito maior do que os dados atuais revelam. Um caso confirmado também foi identificado na cidade de Goma, uma das mais populosas do leste congolês. Representantes do grupo rebelde M23, que controla parte da região, fizeram o anúncio. Autoridades locais reforçaram o monitoramento em rodovias e postos de fronteira.
O governo de Uganda também ampliou a vigilância sanitária em áreas próximas ao Congo. Hospitais da região receberam orientações para isolamento imediato de pacientes com sintomas compatíveis. O vírus identificado pertence à cepa Bundibugyo, considerada rara em comparação com outras variantes do Ebola. Especialistas apontam que essa linhagem apresenta desafios maiores para o controle da doença. Até o momento, não existe vacina específica aprovada contra essa cepa.
Falta de vacina preocupa autoridades
A ausência de imunizantes específicos elevou o nível de preocupação entre autoridades internacionais. Diferentemente da cepa Ebola-Zaire, a variante Bundibugyo ainda não possui tratamento aprovado em larga escala. A OMS classificou o atual surto como extraordinário por causa dessa limitação médica. Pesquisadores trabalham para adaptar terapias já utilizadas em episódios anteriores da doença. Enquanto isso, profissionais de saúde intensificam campanhas de conscientização em comunidades vulneráveis. O objetivo é reduzir contatos físicos durante funerais e atendimentos domésticos.
O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas, vômitos e hemorragias em casos graves. A taxa de mortalidade pode ultrapassar 50% dependendo da rapidez do atendimento médico. A OMS recomendou que países vizinhos ativem imediatamente mecanismos nacionais de emergência. A entidade também pediu triagens em fronteiras e nas principais estradas internas da região. Organizações humanitárias alertam que conflitos armados dificultam o acesso das equipes médicas às áreas mais afetadas.
Risco regional
Especialistas da OMS afirmaram que já existem registros de propagação internacional relacionados ao novo surto. O fluxo constante entre cidades fronteiriças aumenta o risco de novos casos fora das áreas iniciais. Países africanos próximos ao Congo começaram a revisar protocolos sanitários. Aeroportos e centros urbanos estratégicos passaram a reforçar monitoramentos preventivos. Autoridades internacionais temem que o avanço da doença gere impactos humanitários prolongados. A experiência de surtos anteriores mostrou que respostas lentas favorecem a disseminação do vírus.
Em 2014, o Ebola provocou milhares de mortes na África Ocidental e mobilizou operações globais de emergência. Agora, a OMS tenta evitar que a atual crise alcance proporções semelhantes. A agência informou que continuará atualizando relatórios epidemiológicos diariamente. Equipes internacionais seguem enviadas para apoiar laboratórios e unidades médicas locais. A expectativa é que novas medidas sejam anunciadas ao longo desta semana. Governos africanos defendem maior apoio financeiro internacional para ampliar a resposta sanitária.






