Nova operação coloca Deolane Bezerra no centro de investigação sobre lavagem do PCC

Nova operação coloca Deolane Bezerra no centro de investigação sobre lavagem do PCC

Deolane Bezerra foi presa em São Paulo durante operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC e movimentações milionárias


A influenciadora e advogada Deolane Bezerra chegou ao Palácio da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, nesta quinta-feira (21), após ser presa durante a Operação Vérnix. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, conhecido como PCC. Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores movimentados por empresas utilizadas pela facção criminosa. A influenciadora foi detida em sua residência em Alphaville, na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. Ela apareceu vestindo um moletom azul, sem algemas e acompanhada por policiais civis. 

A operação também cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em diferentes estados. O Ministério Público aponta que a organização utilizava transportadoras de cargas para dificultar o rastreamento financeiro. As autoridades afirmam que contas ligadas à influenciadora receberam depósitos considerados suspeitos. O advogado Luiz Imparato declarou que ainda estava analisando os detalhes do caso. Deolane havia retornado da Itália na quarta-feira (20), um dia antes da operação. O nome dela chegou a aparecer em um alerta de Difusão Vermelha da Interpol antes de sua volta ao Brasil. A defesa ainda não apresentou manifestação detalhada sobre as acusações.

Investigação começou dentro de presídio

As apurações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências a integrantes da cúpula do PCC e ordens internas atribuídas à facção. A partir dessas anotações, a Polícia Civil e o Ministério Público abriram uma sequência de inquéritos. Os investigadores identificaram menções a uma mulher ligada a uma transportadora usada pelo grupo criminoso. Essa informação levou os agentes a aprofundarem a análise de empresas suspeitas de movimentar dinheiro ilícito. Segundo a investigação, uma transportadora sediada em Presidente Venceslau funcionava como empresa de fachada. O caso evoluiu para a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021. 

Na ocasião, os investigadores identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. O celular apreendido de Ciro César Lemos, apontado como operador financeiro da organização, trouxe novas evidências para os investigadores. As análises indicaram transferências, depósitos e pagamentos relacionados à facção criminosa. O material também revelou conexões financeiras envolvendo pessoas próximas a Marcola. A partir dessas descobertas, nasceu a Operação Vérnix, considerada a terceira etapa da investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Polícia aponta depósitos e patrimônio incompatível

Os investigadores afirmam que Deolane Bezerra recebeu depósitos fracionados entre 2018 e 2021. O Ministério Público sustenta que os investigados usaram empresas e bens de luxo para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado. Parte dos depósitos teria sido realizada abaixo de R$ 10 mil para evitar mecanismos automáticos de fiscalização bancária. A técnica é conhecida como smurfing e costuma ser monitorada por órgãos financeiros. A investigação também identificou quase 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora. Os valores somariam cerca de R$ 716 mil. As autoridades afirmam que não encontraram contratos ou serviços que justificassem parte dessas transações.

O Ministério Público sustenta que os investigados usaram empresas e bens de luxo para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões relacionados ao patrimônio da influenciadora. Além disso, a Justiça bloqueou R$ 357,5 milhões dos investigados no total da operação. A polícia ainda apreendeu 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Entre os alvos estão familiares de Marcola, incluindo o irmão Alejandro Camacho e sobrinhos do chefe da facção.

Operação amplia pressão sobre influenciadores investigados

A nova fase da investigação aumenta a pressão sobre influenciadores e empresários envolvidos em operações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades. A Polícia Civil de Pernambuco já havia prendido Deolane em setembro de 2024 durante a Operação Integration. Na época, a investigação apurava supostas relações entre lavagem de dinheiro, jogos ilegais e plataformas de apostas. A influenciadora ganhou notoriedade nacional nas redes sociais ao compartilhar sua rotina de luxo em Alphaville. Atualmente, ela possui cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram. Os investigadores afirmam que a exposição pública e a atividade empresarial funcionavam como camadas de proteção patrimonial.

A polícia também cumpriu mandados contra Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo. O influenciador Giliard Vidal dos Santos, tratado como filho de criação de Deolane, também foi alvo de buscas. As autoridades comunicaram Marcola e Alejandro Camacho, que já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília, sobre as novas ordens de prisão preventiva. As autoridades continuam analisando documentos, celulares e registros bancários apreendidos durante a operação. O Ministério Público afirma que a investigação ainda pode revelar novos envolvidos no esquema. A defesa dos citados nega irregularidades e diz que pretende contestar as acusações na Justiça.

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