Ferrari enfrenta reação negativa após lançar primeiro carro 100% elétrico

Ferrari enfrenta reação negativa após lançar primeiro carro 100% elétrico

Primeiro Ferrari elétrico divide opiniões, derruba ações da marca e recebe críticas do ex-presidente Luca di Montezemolo


A apresentação do Ferrari Luce provocou forte repercussão no mercado automotivo e entre admiradores da marca italiana. O modelo marca a estreia da Ferrari no segmento de carros totalmente elétricos. O lançamento aconteceu nesta terça-feira e rapidamente gerou críticas nas redes sociais e entre especialistas do setor. O principal comentário veio de Luca Cordero di Montezemolo, que classificou o veículo como uma ameaça à identidade histórica da fabricante. O executivo comandou a Ferrari entre 1991 e 2014. Durante um evento em Roma, ele afirmou que o novo modelo representa uma ruptura profunda com os valores tradicionais da montadora. 

Montezemolo declarou que espera que a Ferrari retire o “Cavallino Rampante” do veículo. A fala repercutiu rapidamente na imprensa internacional e ampliou o debate sobre a eletrificação da marca. O Luce possui quatro portas e cinco lugares, algo incomum para os padrões clássicos da Ferrari. O projeto também contou com colaboração da LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive. O modelo foi desenvolvido para atender um público mais amplo e tecnológico. A estratégia busca aproximar a Ferrari de consumidores interessados em veículos elétricos de luxo. Apesar disso, parte dos fãs considera que o carro perdeu características tradicionais da marca italiana.

Mercado reage mal ao visual e à proposta do Luce

As ações da Ferrari registraram queda após a apresentação oficial do Luce. Os papéis recuaram mais de 8% na Bolsa de Milão e também caíram em Nova York. Investidores demonstraram preocupação com a recepção negativa ao modelo. O gestor Fabio Caldato, da AcomeA SGR, afirmou que o mercado reagiu tanto ao design quanto à mudança estratégica da fabricante. Nas redes sociais, muitos usuários criticaram o visual do carro. Alguns compararam o modelo a veículos genéricos e até a eletrodomésticos. O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini também ironizou o lançamento. Em publicação no X, ele afirmou que o veículo não parecia uma Ferrari tradicional. 

Especialistas do setor automotivo também demonstraram dúvidas sobre a identidade visual do modelo. Matt Prior, editor da revista Autocar, avaliou que o carro não transmite a essência esportiva típica da marca. Segundo ele, a ausência de um motor convencional altera proporções importantes do design. A bateria instalada sob o assoalho deixa o veículo mais alto e muda o perfil clássico dos esportivos italianos. Outro analista, Pierre-Olivier Essig, comparou o Luce a modelos elétricos de fabricantes comuns. Mesmo diante das críticas, alguns consumidores elogiaram a ousadia estética da Ferrari e classificaram o lançamento como inovador.

Ferrari aposta em novos mercados e clientes de tecnologia

O Ferrari Luce foi criado para ampliar a presença da marca em mercados estratégicos, especialmente na China. O país concentra uma demanda crescente por carros elétricos premium. A fabricante também tenta conquistar empresários do setor de tecnologia e consumidores mais jovens. O CEO Benedetto Vigna afirmou que o projeto levou cinco anos para ser concluído. Segundo ele, o veículo representa a visão da Ferrari sobre eletrificação sem abandonar desempenho e exclusividade. O Luce possui mil cavalos de potência e acelera de 0 a 96 km/h em cerca de 2,5 segundos. A autonomia supera 529 quilômetros. O carro utiliza quatro motores elétricos independentes, um em cada roda. 

A Ferrari também destacou o desenvolvimento de um sistema sonoro próprio para preservar parte da experiência emocional da condução. Em vez de simular artificialmente um motor a combustão, o veículo amplifica vibrações reais dos componentes elétricos. O presidente da Ferrari, John Elkann, afirmou que o lançamento inaugura um novo capítulo na história da marca. Mesmo assim, o momento é delicado para o mercado global de elétricos de luxo. Diversas montadoras reduziram metas de eletrificação nos últimos meses. A própria Ferrari revisou suas projeções para 2030 e diminuiu a expectativa de participação de carros totalmente elétricos em sua linha.

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